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Montecristo: da literatura para a história do charuto
por Celso Nogueira
Saiba como Montecristo se tornou a marca de charutos cubanos mais vendida no mundo. Traição e vingança são os componentes fundamentais do romance O Conde de Montecristo, do escritor francês Alexandre Dumas, pai, autor de "Os Três Mosqueteiros" e inúmeras obras do gênero capa e espada, hoje demodê.
Edmond Dantes, um audacioso aventureiro, é preso sob falsa acusação, em 1815. Ele foi vítima de um complô armado por três pessoas: o juiz Villefort, seu amigo Danglars, candidato ao posto de capitão de navio que Dantes recebera por mérito, e Fernand Mondego, que desejava sua amada, a catalã Mercedes. Preso e condenado a cumprir pena na ilha de Montecristo, Edmond escapa da prisão e encontra um tesouro que lhe permite retornar a Paris e se vingar dos que o desgraçaram, um a um.
A história fascinava os torcedores cubanos que, nas galeras da ilha ouviam este e outros romances enquanto trabalhavam. Um leitor se encarregava de passar clássicos da literatura e obras políticas para ajudar os operários a enfrentar a dura jornada. Por isso tantas marcas e modelos se inspiraram na literatura, como Romeo y Julieta e Sancho Panza.
No caso do charuto Montecristo, a variedade de formatos, o sabor apimentado inconfundível e principalmente alguns modelos emblemáticos o tornaram uma das marcas mais comercializadas por Cuba. A produção iniciou-se em 1935, na fábrica H. Upmann, com tabacos de Pinar del Rio. O charuto Montecristo surgiu da união de Alonso Menendez a José Garcia, na sociedade Menendez, Garcia e Cia, fábrica de tabacos Particulares, na calle Virtudes, no centro de Havana.
Com a revolução cubana de 1958 a marca foi estatizada. A família Menendez deixou o país e se estabeleceu no Brasil, entre outros lugares. Aqui é responsável por marcas como Dona Flor e Alonso Menendez.
O vitolário de Montecristo representa ao Havano forte, rijo, bravo e sem concessões. Sua capa costuma ser escura e está presente nos formatos tradicionais, do No.1 ao No. 5, mas destacando-se o No. 2, referência entre os torpedos. O No. 4, uma Mareva, é o puro cubano mais vendido em todo o mundo. Representa, atualmente, quase 20% das exportações cubanas de charutos.
Um apreciador de charutos sempre reverencia o Montecristo A como um dos melhores puros já produzidos. As edições limitadas do Montecristo Robusto (2001 e 2006) se tornaram clássicos, e em 2008 saíram os Sublimes, também em edição limitada.
Comemorando os 70 anos da marca, em 2007, quando o Montecristo completou 72 anos (vai entender... parece mulher mentindo a idade...), a Habanos revitalizou o Monte com novidades em vitolas e design, segundo Cesar Adames. Diz o especialista no site Taste que a empresa lançou o Petit Edmundo, um pouco menor, mas com mesmo diâmetro do seu irmão mais velho. Outra novidade foi a mudança do desenho nos tubos de alumínio, que ganhou um amarelo mais marcante e o Edmundo em tubos de alumínio.
Para apreciadores endinheirados, explica, saíram 5.000 caixas numeradas da Reserva Montecristo, homenagem ao Montecristo No. 4.
A Reserva Montecristo usa fumo especialmente envelhecido por três anos e caixa com acabamento em laca negra, trazendo em seu interior 20 charutos com duas anilhas, a do Montecristo e outra especial para a reserva.
Segundo o site Basilico, o jornalista e charuteiro Fernando Mitre considera o Montecristo nº1 um de seus charutos preferidos: “É mais saboroso e intenso.” Para acompanhá-lo, Mitre dispensa bebidas. "O ideal mesmo é fumar depois do café, do vinho do Porto ou de vinhos portugueses, como o Monte do Pintor."
O Edmundo, com cepo 52 e 135 mm, é um pouco mais suave que outros da linha, e está disponível também em petacas com 3 tubos de alumínio. As vitolas do Montecristo relacionadas abaixo (algumas podem estar fora de linha ou serem difíceis de encontrar) informam a medida, o nome de galera e o nome como cada modelo é conhecido popularmente:
- No. 1 - 6 1/2" x 42 (165 x 16.67 mm) Cervantes, lonsdale
- No. 2 - 6 1/8" x 52 (156 x 20.64 mm) Pirámide, torpedo
- No. 3 - 5 5/8" x 42 (142 x 16.67 mm) Corona, corona
- No. 4 - 5 1/8" x 42 (129 x 16.67 mm) Mareva, petit corona
- No. 5 - 4" x 40 (102 x 15.87 mm) Perla, tres petit corona
- A - 9 1/4" x 47 (235 x 18.65 mm) Gran Corona, presidente ou gigante
- Especial No. 1 - 7 1/2" x 38 (192 x 15.08 mm) Laguito No. 1, panetela longa
- Especial No. 2 - 6" x 38 (152 x 15.08 mm) Laguito No. 2, panetela
- Joyita - 4 1/2" x 26 (115 x 10.32 mm) Laguito No. 3, cigarillo
- Tubo - 6 1/8" x 42 (155 x 16.67 mm) Corona Grande, corona grande
- Petit Tubo - 5 1/8" x 42 (129 x 16.67 mm) Mareva, petit corona
- Edmundo - 5 3/8" x 52 (135 x 20.64 mm) Edmundo, robusto
- Petit Edmundo - 4 3/8" x 52 (135 x 20.64 mm) Petit Edmundo, petit robusto
Edições Limitadas
- Double Corona (2001) - 7 5/8" x 49 (194 x 19.45 mm) Prominente, double corona
- Robusto (2001) - 4 7/8" x 50 (124 x 19.84 mm) Robusto, robusto ou rothschild
- C (2003) - 5 5/8" x 46 (143 x 18.26 mm) Corona Gorda, toro
- D (2005) - 6 3/4" x 43 (170 x 17.07 mm) Dalia, lonsdale
- Robusto (2006) - 4 7/8" x 50 (124 x 19.84 mm) Robusto, robusto ou rothschild
Regionais
- Edmundo Dantes Conde 109 (2007) - 7 2/8" x 50 (184 x 19.84 mm) No. 109, double corona
Especiais
- Millennium Reserve Robusto - 4 7/8" x 50 (124 x 19.84 mm) Robusto, robusto ou rothschild
- B - 5 3/8" x 42 (135 x 16.67 mm) Cosaco, corona
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Celso Nogueira - tradutor, editor e redator
especializado em alimentos e bebidas, trabalha
com marketing de relacionamento em uma multinacional
e faz traduções literárias
e gastronômicas, além de realizar
palestras e conduzir degustações
sobre gastronomia, cachaça e charutos.
Foi um dos fundadores e atuou como diretor da
confraria Cigar Club.
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