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Curso
de Charuto - 1 - A história do charuto
por Cesar Adames
O
princípio de tudo
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descobrimento da Nicotiana Tabacum pelos europeus
coincide com o descobrimento da América,
os índios americanos já conheciam
seus milagres. Essencial na medicina, imprescindível
em cerimônias religiosas e militares, complemento
alimentar de qualidade e um alucinógeno
para lá de eficiente, o tabaco ainda teria
muitos papéis a cumprir. Aqui, na longínqua,
pouco civilizada e nada habitável América,
na opinião dos europeus é claro,
essa planta já não podia faltar.
Conta-se que os índios da região
caribenha, os taínos, fumavam folhas de
tabaco entrelaçadas há mais de dois
mil anos.
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Os astecas, membros
da civilização antiga do México,
consideravam o sumo das folhas do tabaco um antídoto
insuperável contra o veneno das cobras.
Os maias, povo indígena de vários
países da América Central, até
mesmo do México, lhe atribuíam poderes
milagrosos e costumavam oferecer aos deuses a
primeira colheita do tabaco para atrair a chuva.
No Brasil, os índios aracujás ingeriam
as folhas misturadas com outros alimentos. Os
winnebagos, aborígines norte-americanos,
o consideravam um presente dos deuses ao primeiro
dos seres humanos. E nativos do Amazonas iniciavam
seus jovens no mundo adulto fazendo-os aspirar
o aromático fumo.
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Quando,
no domingo de 28 de outubro de 1492, Cristóvão
Colombo aportou na baía de Bariay, ao norte
da atual província cubana de Holguín,
a história do tabaco começou a mudar.
Ao desembarcar em Playa Blanca, dois jovens marinheiros
da esquadra espanhola, Rodrigo de Jerez e Luiz
de Torres, foram escolhidos para dar os primeiros
passos na nova terra. A missão era encontrar
ouro.
O objetivo inicial não foi cumprido naquele
breve passeio. Mas os dois exploradores foram
os primeiros europeus a fumar o que se conhece
por charuto. Colombo registrou em seu diário
(na terça feira 6 de novembro do mesmo
ano), enquanto voltava à Europa, que sua
tripulação “encontrou muito
gente que atravessava o povoado; mulheres e homens,
com um tição entre as mãos
e ervas para tomar a defumação à
qual estavam acostumados.”
Jerez levou folhas de tabaco para Ayamnte, na
Espanha, sua cidade natal. O entusiasmo do marinheiro
ao mostrar a familiares e amigos como se fumava
um charuto custou caro. Na primeira baforada foi
acusado de estar possuído pelo demônio.
O poder da igreja européia no século
XV e a falta de misericórdia da Santa Inquisição
fizeram com que ele fosse julgado por heresia
e condenado a anos de prisão.
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| Os
espanhóis foram os primeiros a conhecer
o desprazer do tabaco. Em 1586, o rei Felipe II
ordenou que as folhas de tabaco fossem queimadas
em praça pública por serem prejudiciais
ao corpo e ao espírito, além de
contrariar as regras cristãs impostas pela
igreja e controladas, sem dó nem piedade,
pela Inquisição. O rei também
puniu, com chicotadas, os que cultivavam e vendiam
o tabaco. O pior castigo foi enviá-los
às colônias americanas. Porém,
segundo pesquisas históricas,os espanhóis
que moravam em Cuba cultivavam o tabaco desde
1520
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A
perseguição ao fumo, que superava
em muito as punições antitabagistas
aplicadas hoje, alcançou a Pérsia,
o Japão, a Turquia e a Rússia. A
primeira medida do reinado do xá persa
Abbas-Sofi, em 1590, foi condenar à morte
aqueles que utilizavam o tabaco par qualquer fim.
No Japão do século XVII, o shogum
de Tokugawa determinou 50 dias de prisão
para os fumantes, além de confiscar todos
os seus bens.
O sultão Amurates, da Turquia, foi ainda
mais severo: ao assumir o trono em 1622, ordenou
que os charuteiros tivessem as orelhas e a ponta
do nariz cortado. Na Rússia, o czar Aléxis
obrigou os fumantes a realizar trabalhos forçados
na Sibéria. Os castigos variavam da tortura
à pena de morte.
Nessa mesma época, o cientista alemão
Johan Neander publicou um estudo sobre os efeitos
terapêuticos do tabaco. A descoberta do
uso medicinal da planta pela quais tantos morreram
começou a reverter à tragédia
que atravessaram fronteiras.
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O tabaco
passou da rejeição à
adoração em pouco tempo. Catarina
de Médici, rainha da França
entre 1519 e 1589, recebeu de seu embaixador
em Portugal, um punhado de folhas de tabaco
de presente. As folhas entregues por Jean
Nicot logo viraram pó e serviram
para combater as freqüentes e intermináveis
enxaquecas da rainha. A homenagem foi imediata,
Jean Nicot emprestou seu nome à planta,
batizada de Nicotiana Tabacum.
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A primeira fábrica cubana de charutos
foi inaugurada em 1810. No fim do século
XIX, a ilha possuía 1320 produtores com
marcas próprias. Não demorou para
que o ofício de tabaqueiro chegasse a
países vizinhos, como Costa Rica, Jamaica,
Republica Dominicana, México e até
o Brasil, mas isto já é uma outra
história.
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